O seu cãozinho está com problemas comportamentais?
Pergunte para o Alexandre Rossi e Cão Cidadão
AGRESSIVIDADE
22 set 2015
Comportamento: Agressividade
Tutor(a): Veronica Rodrigues, Karina Ribeiro e Michele Gomes., | O cachorro: Pekeno, Meg e Isnup.
Agressividade em cães

“Oi Alexandre, eu tenho um cão de 8 meses, da raça basset e ele está começando a avançar na minha mãe e a bater na mãe dele. O pai dele é assim, as duas vezes que veio cruzar com minha cadela, ele era bravo, porém muito carinhoso, mas me mordia. O pai do meu filhote morou um tempo na casa da mãe da tutora dele e não ficou lá por ter este gênio que meu cão tem. O que devo fazer, pois já tive alguns cães desta raça, todos muito carinhosos e calmos, mas o Pekeno é muito agitado ainda mais quando não estou em casa.” – Veronica Maria Rodrigues, dona do Pekeno, de oito meses.

“A Meg é uma cadela com as mesmas características físicas da Estopinha. Ela foi abandonada e achada por uma moça, que logo em seguida, colocou para adoção. Foi amor à primeira vista, fiquei com ela, ela cresceu super bem, tomou todas as vacinas, e está aprendendo as coisas certinhas. Porém, a minha preocupação é que a Meg não pode ficar perto de criança pois ela não gosta. Há menos de duas semanas, eu abri meu portão, ela saiu correndo para a rua, estava passando uma criança com seus pais, e ela tentou atacar a criança. Então, na hora da raiva, chegaram a ameaçar a dar veneno e, por isso, fico muito preocupada pois não sei o que fazer para ela gostar de crianças. Peço muito a sua ajuda. Sigo o facebook da Estopinha, muito fofa. Obrigada pela atenção.” – Karina Sarzi Ribeiro, dona da Meg, de sete meses.

“Eu tenho dois cachorros, um mais ciumento do que o outro, Isnup e Scub. O Isnup é o pior, não recebo mais ninguém na minha casa e, quando chega alguém no portão, ele não para de latir e morde o Scub, que é seu irmão da mesma idade. Se alguém entrar, ele vai para cima e morde, eu moro nos fundos da minha mãe, e quando vou para casa dela, ele não para de latir, quando desco para ir embora, ele pula na gente desesperado. Demora um pouco e se acalma, vai para a caminha e dorme. Ele é muito possessivo, quer a gente só para ele e não obedece. Eu preciso de ajuda, por favor.” – Michele Gomes, dona do Isnup, de um ano e quatro meses.

Por John Lennon Silva, adestrador da equipe Cão Cidadão.

Oi Veronica, Karina e Michele, tudo bem?

A agressividade é um assunto muito importante e, para que vocês possam entender e controlar esse comportamento, devo ressaltar que, muitas vezes, é necessário consultar um especialista em comportamento animal para auxiliar nos treinos e evitar qualquer incidente. Outra coisa que deve ser esclarecida é que o animal não deve ser acorrentado, isso porque ele tem duas formas de se defender: uma é se proteger ou fugir, e a outra é atacar. E um cão preso fica sem opções e acaba atacando.

As formas mais comuns de agressividade são: dominância, medo, proteção, ansiedade e possessividade. Os cães podem ficar agressivos em várias situações e eles, infelizmente, não sabem o que queremos deles. Por isso, precisamos ensiná-los a lidar com a vida, apresentá-los a outros animais e a pessoas. Porém, muitas vezes, acabamos ensinando de maneira errada como, por exemplo, toda vez que seu cão está no colo e alguém vem te cumprimentar, o cão late, rosna e tenta morder a outra pessoa e a reação do dono é fazer carinho e dizer “não faça isso” ou “isso é feio”. Mas o cão simplesmente entendeu o carinho como um “muito bem” ou “ótimo trabalho”. Por isso, é importante avaliar a situação tentando pensar como o cão.

Para os cães que latem e mordem estranhos, você poderia começar um treino de “fica”, para ensiná-lo a ficar sozinho, sem que isso seja o fim do mundo. O treinamento deve começar com você de frente para ele, dizendo a palavra “fica” e mostrando a mão aberta. Você pode se mexer abaixando, levantando e esperando um segundo e, em seguida, recompensá-lo com um petisco ou um brinquedo que ele goste. Porém, nada muito excitante, principalmente no começo, para evitar a dispersão. Gradualmente, você pode aumentar o tempo e os estímulos, começando a dar um passo e a voltar e a recompensar. Caso ele saia do lugar, você deve diminuir o estímulo e tentar novamente.

Outra dica para tornar agradável e menos ruim a sua ausência é fornecer enriquecimento ambiental. Sempre que for sair, mesmo que seja para a sua mãe que mora próximo, deixe um brinquedo ou algo que ele goste de fazer. Uma brincadeira legal é utilizar garrafa pet. Faça alguns furos, de onde os grãos de ração consigam sair, e dê a ele. No começo, precisamos estimular a brincadeira, mas, com o tempo, eles aprendem a tirar até a tampa da garrafa!!! Supervisione a brincadeira para se certificar de que eles não tentam comer pedaços da garrafa. Existe um brinquedo chamado Kong, que se pode rechear com petiscos, ração ou até frutas congeladas para demorar mais, e é superdifícil de destruir.

Sobre a parte de morder, você deve fazer um treino de dessensibilização, começando com um estímulo baixo, deixando eles longe do portão. Peça para alguém bater uma vez ou tocar a campainha e, ao mesmo tempo, comece a brincar com eles e a dar petiscos para tirar a atenção das batidas no portão. Aumente os estímulos gradualmente, sempre evitando que eles errem e briguem. Caso isso aconteça, regrida no treino novamente. Esses comportamentos de latir e de morder um ao outro acontecem muitas vezes por ansiedade e, no caso de querer morder as pessoas, por falta de sociabilização.

Um exercício bacana seria levar os pets em alguma praça tranquila e, quando avistar alguma pessoa ou cão, mantenha uma distância mínima e dê petiscos para ele associar a presença da pessoa ou animal a coisas boas, como comida ou brinquedo, caso ele prefira. Esses treinos levam tempo, mas, com muita dedicação, amor e paciência, tudo dará certo.