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Arredio com as pessoas
15 ago 2017
Comportamento:
Tutor(a): Alessandra Maria, | O cachorro: Lobo
Arredio com as pessoas 

“Em março deste ano adotei um collie macho. Lobo veio em estado grave de desnutrição, erliquiose, seborreia e um acúmulo de saliva na papada. Tratamos e ele está saudável.  Depois de duas semanas ele começou a estranhar as pessoas que não conviviam diariamente com ele. Um mês depois mordeu a perna de uma sobrinha. E, agora, com três meses conosco, ele mordeu meu Yorkshire. E o pior, mordeu o rosto do meu bebê de dois anos e meio. Não foi grave, mas ele está cada vez mais arredio com o bebê e agora fica muito tempo dentro da casa dele, como se estivesse magoado.  Meu filho é carinhoso com ele, quer abraçar, mas o Lobo logo fica ressabiado e tenta morder. Penso em colocá-lo para adoção, pois tenho medo. O que faço?”

Por Christhiani Pereira, adestradora e franqueada da Cão Cidadão

Olá Alessandra. O Lobo foi adotado já adulto e por isso não sabemos exatamente quais foram suas experiências com outros cães, pessoas e, até mesmo, se ele já havia sido sociabilizado com crianças antes.

Cães dessa raça possuem bastante energia, então, também é muito importante que ele pratique atividades, tenha brinquedos interessantes e também passeie para conhecer outros cães, pessoas e estímulos diferentes, sempre associados a coisas muito legais, como petiscos e carinhos.

A presença de pessoas estranhas em casa deve ser associada positivamente de maneira em que o espaço dele não seja invadido e sem forçar contatos. Comece pedindo que essas visitas ofereçam petiscos ou brinquedos que ele goste, mesmo que seja à distância e evitando um contato visual direto.

É importante que o Lobo esteja à vontade e não seja colocado em situações de desconforto. Lembre-se de avisar as visitas para não fazer movimentos bruscos ou toca-lo de surpresa, para que ele não estranhe qualquer situação. Sempre reforce os bons comportamentos, pois é isso que o fará aumentar de frequência.

Sabemos que crianças podem ter uma forma um pouco mais agitada e brusca de fazer carinho em animais, e para que isso não assuste ou incomode o cão, temos de associar primeiramente a presença da criança a coisas boas. Pode ser utilizado algum petisco que ele goste muito ou um brinquedo legal.

A ideia é sempre recompensar os momentos em que ele se comporta bem na presença das crianças. Sem comprometer a segurança da criança, esse treino pode ser feito com o cão preso em uma guia em algum ponto fixo ou até separado por um portãozinho.

A criança pode oferecer os petiscos ou brinquedos à distância, sempre de forma gradativa. Dado esse passo, é importante dessensibilizar os afagos e carinhos que ele tem estranhado, isso pode ser feito incialmente com uma mãozinha falsa, fazendo carinhos curtos e prolongando conforme evolução das respostas do Lobo nesse treino.

Até que se esteja bem seguro quanto a melhora da reatividade do cão em relação a criança, é melhor que contatos mais próximos sejam evitados.

Da mesma maneira deve-se trabalhar com o pequeno Yorkshire. Fazer associações positivas em momentos de interação entre eles faz com que eles tenham uma relação melhor. Passeios em conjunto também ajudam os cães a se portarem como matilha, tornando-os mais companheiros entre si.

Contudo, é importante ressaltar que se o Lobo demonstra uma agressividade crítica em relação ao Yorkshire, é recomendado que eles convivam separados até que um profissional qualificado possa analisar com mais detalhe o caso e ofereça uma solução. Em uma eventual briga entre eles, pela diferença de portes, o York pode se machucar de maneira mais séria causando ainda mais transtornos.

Em treinos de cães reativos com crianças, onde ele já tem um histórico de mordidas, pode ser muito importante o uso de uma focinheira para garantir que o Lobo não irá machucar ninguém. Mas lembre-se de que ele não pode se sentir incomodado com a focinheira, associe o objeto gradativamente a um petisco muito especial, colocando e recompensando, retirando e recompensando. De modo que dele demonstre tranquilidade ao usar a focinheira.

É importante ressaltar que os “avisos” que o cão dá, como rosnados e até mostrar os dentes, não devem ser punidos, pois o cão pode deixar de avisar e nas próximas vezes morder diretamente.

Casos de agressividade exigem muita cautela, pois algumas situações podem colocar em risco outros animais e até mesmo pessoas que convivem com o pet.

Por isso, antes de tudo, é muito importante entender quais são os gatilhos que fazem o Lobo reagir de forma agressiva. Em alguns casos é essencial a presença de um profissional em comportamento animal, para que isso não comprometa a segurança de todos da casa.