O seu cãozinho está com problemas comportamentais?
Pergunte para o Alexandre Rossi e Cão Cidadão
Ansiedade de separação
1 nov 2016
Comportamento: Ansiedade de Separação
Tutor(a): Daiane Oleiro, Jossane e Cecília, | O cachorro: Buddy, Junio e Sheldon
Cães que sofrem com ansiedade de separação

“Meu Buddy nunca ficou sozinho, pois ela vai para minha loja comigo todos os dias, agora não tenho mais como sair de casa sem ele, acho que esta com ansiedade da separação, a VET receitou um floral que está ajudando bastante mas não resolve o problema, tem alguma dica de como ajudar meu filhocão a não sofrer tanto…” – Daiane Oleiro, dona do Buddy, de um ano e seis meses.

“Olá, Junio sempre foi um grude. Nos dois/três primeiros anos dele fomos só eu e ele num apartamento. Ele sempre ficou só o dia todo mas nunca foi de latir nem de ficar se lambendo. Casei e criamos junto dele mais dois cachorros que hoje já faleceram. Depois que ele começou a conviver com os irmãos, aprendeu a latir e começou a sofrer com a separação. Além disso, começou a se lamber principalmente na barriga e nas unhas. Ele nunca se feriu com esse comportamento mas já teve umas alergias feias por causa disso. Sempre chego em casa e ele fica muito ansioso, pedindo colo e latindo fino. E mesmo quando estou em casa o dia todo ele fica se lambendo. Eu digo não e ele para, mas logo volta. Ele tem acesso a casa toda, deixo a tv ligada para ficar com barulho de pessoas e uma luz acesa. Eu saio com ele pela manhã e às vezes a noite mas não consigo ir em casa na hora do almoço. Hoje ele tem uma irmã, uma gatinha. Os dois se adoram. O que eu poderia fazer para que ele não ficasse assim? Acho que ele fica o dia todo só esperando a gente voltar… Beijos pra Estopinha! Jô” – Jossane, dona do Junio, de nove anos.

“Alexandre, tenho a seguinte dúvida. Meu filhote É um poodle, com a nossa rotina Ele tem ficado sozinho parte do dia e tem criado um comportamento Que tem vem nos deixando preocupados. Sempre que ele sente. Que vamos sair ele corre e se enfia embaixo da cama e não sai de jeito nenhum se não formos tirar e tem lambido demais as patas. Estamos fazendo o possível. Pra dar atenção a ele, comprar brinquedos, levar pra passear, Ele começa agora numa creche pra cães Pra vê se sente menos sozinho. Teria algo mais que se poderia fazer? Nós amamos a Estopinha e o Bartho!”– Cecília, dona do Sheldon, de um ano e nove meses.

Por Camila Guedes, adestradora da equipe Cão Cidadão.

Oi Daiane, Jô e Cecília. Obrigada por compartilharem suas experiências com a gente!

A primeira coisa a fazer é levar os pets ao veterinário, para se certificar de que os comportamentos indesejados não estão sendo causados por qualquer problema clínico. Feito isso, vamos falar um pouco das possíveis causas, consequências e soluções das questões relatadas por vocês.

Pelas descrições, os animais possuem ansiedade de separação, em que os cães apresentam sinais exagerados de ansiedade quando ficam sozinhos. Isso pode acontecer apenas quando a família toda não está em casa, mas também há casos mais graves, em que o animal não consegue sequer ficar alguns minutos sozinho, e segue os tutores pela casa o tempo todo.

O cão apresenta comportamentos específicos como latir em excesso, no caso do Junio, ficar prostrado e sofrendo como o Buddy, ou escondido debaixo da cama, como o Sheldon. Mas também pode ser um xixi ou cocô fora do lugar, destruição de objetos, choro constante, entre outros. Há cães que salivam excessivamente quando ficam sozinhos e outros que chegam a se machucar tentando encontrar uma forma de sair do ambiente em que estão. Fique atento às recepções extremamente calorosas do seu cão quando você chega em casa, porque isso também pode ser um indício de ansiedade de separação – alguns cães choram por minutos, urinam, salivam, uivam em excesso etc.

Para reverter esse quadro, você terá que, gradativamente, apresentar para ele um mundo em que ele está sozinho, mas que está tudo bem. Planeje momentos de pequenas separações. Faça tudo como se você fosse sair para trabalhar, mas não saia, ou saia apenas por alguns segundos. Aumente esse tempo aos poucos, conforme o cachorro começar a compreender que você vai, mas volta. Se o seu cão já fica alterado só porque você pegou a sua mochila, segure-a e a coloque de volta no lugar, ignorando a reação do cão. Tudo com muita paciência e tranquilidade.

Para diferenciar os momentos de treino das horas que você tem mesmo que sair, altere algo na sua rotina. Se você sai sempre pela porta da frente, passe a sair pela dos fundos. Se você sempre senta na cama para calçar os sapatos, agora faça isso na sala. Ajustes na rotina, associados aos treinos de pequenas separações, contribuirão para que seu cão fique menos ansioso.

As despedidas e cumprimentos devem sempre ser moderados. Nada de fazer drama antes de sair de casa ou um escândalo de alegria no retorno. Planeje esses momentos e aja com naturalidade. Antes de sair, arrume as suas coisas, despeça-se calmamente com um rápido carinho na cabeça e saia. Quanto mais você oferecer atenção ao seu cão nessa hora, pior será para ele quando você de fato tiver que sair.

O mesmo vale para o retorno. Se você chega em casa enlouquecido e falando com o cão como se o mundo fosse acabar, vai estimular o problema comportamental dele. Eu sei que a coisa mais legal do mundo é chegar em casa e dar aquele abraço gostoso no peludo, mas se contenha um pouco, para o bem dele. Ao entrar em casa, você até pode falar com o seu cão, com voz normal e calmamente, mas evite dar muita atenção a comportamentos excessivos dele, como latidos, pulos e choro. Se ele estiver muito excitado, aguarde uns minutos, troque de roupa, tome uma água e só depois dê a ele toda a atenção desejada por ambos.

Nos dias em que você estiver em casa, procure não estar o tempo todo oferecendo atenção ao cão. Mesmo com a sua presença, ele precisa aprender a estar sozinho. Portanto, não leve ele com você para onde for e também não deixe que ele o siga o tempo todo. Use as portas da sua casa para separar vocês, enquanto você come algo na cozinha ou lê algo no quarto. Mais uma vez: lembre-se de fazer isso naturalmente.

Em qualquer caso, duas coisas são essenciais e você deve proporcionar ao seu peludo:

Atividade física regular: aqui estão incluídos os passeios (o ideal é que sejam pelo menos 20 minutos de caminhada. Aquela ida rápida à calçada para fazer xixi não conta) e também as brincadeiras de movimento, como buscar a bolinha, por exemplo. Essas atividades devem ser diárias, pois 2 ou 3 vezes por semana não serão suficientes para suprir as necessidades do seu cão. Se na sua cidade tiver e for possível, deixar o seu cão em uma creche de vez em quando também é bem legal para gastar energia e, nesse caso, ainda vem com um adicional, que é a atividade social, já que na creche seu cão poderá interagir com outros amigos peludos.

Enriquecimento ambiental: tanto na sua presença, como na sua ausência, a sua casa deve ter coisas legais para o seu cão fazer sem você. Uma boa solução são os brinquedos recheáveis. Sabe a comida que você oferece no pote? Então, pode jogar o pote fora. É isso mesmo! Ofereça toda a porção de ração em brinquedos e observe o seu amigo demorar pelo menos meia hora para comer. E sabe o que é mais legal? Eles adoram!!! É divertido para eles ter que resgatar a comida através de um pequeno furo. É desafiador! E o mais legal ainda é que você pode deixar esse tipo de brinquedo à disposição pouco antes de sair de casa, assim, o cão passará a associar sua saída com algo divertido e que irá entretê-lo por algum tempo.

Sabe aqueles 1001 brinquedos que seu cão tem, que ficam amontoados perto da caminha dele e ele nem brinca? Então, guarde a maioria deles e faça um revezamento de brinquedos, entregando um ou dois “novos” a cada dia, e recolhendo os do dia anterior. Em vez de entregar diretamente ao cão, brinque você um pouco com o objeto, jogue para cima e agarre como se fosse a coisa mais legal do mundo, e depois simplesmente “esqueça” o brinquedo pelo chão e saia de perto. Muito provavelmente, ele se interessará um pouco mais pelo brinquedo.

Não se esqueça também de diversificar os brinquedos – materiais e texturas diferentes são importantes. Você ama aquelas pelúcias fofas que tem no pet shop e seu cão também? Ótimo. Mas ele também precisa de brinquedos de borracha, de nylon, de corda, ossinhos para roer… Enfim, seja criativo! Lembre-se de que, enquanto você e sua família passam o dia cheio de ocupações, o seu cão está em casa sozinho, ocioso. Só você pode oferecer a ele um dia a dia menos tedioso.

Procure por brinquedos que sejam adequados ao tamanho do seu cão e sempre que for apresentar a ele um novo, supervisione para ter a certeza de que a interação com o objeto será segura. Só deixe o cão sem supervisão com aqueles brinquedos que você tem a certeza de que ele sabe brincar de forma saudável. E, se estiver inseguro sobre dar ou não ossos ou outros itens digeríveis, converse com o veterinário.

Se estiver difícil colocar tudo isso em prática sozinho, procure um profissional que possa te auxiliar. Bons treinos!