O seu cãozinho está com problemas comportamentais?
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COMPULSÃO
30 jun 2015
Comportamento: COMPULSÃO
Tutor(a): Maria Aparecida, Juliana Guarnieri e Lucelia Sanches., | O cachorro: Pierre, Dante e Tonny.
Cães que têm compulsão por lambedura

“O meu cãozinho tem lambido as patas a ponto de estar se mutilando. Tenho tratado mas tem se ferido recorrentemente. O que poderia ser feito para evitar? Ele não se interessa por nenhum brinquedo ou guloseimas para se distrair! Será que se for castrado resolve?” – Maria Aparecida, dona do Pierre, de 10 anos.

“Dante é um golden retriever muito amado . Passeia todos os dias pela manha e a noite. Recebe uma alimentação de qualidade e tem o amor e carinho de todos os membros da familia. Mas tem um vicio… ele lambe a pata até sangrar. E isso acontece só a noite, no horário que nos reunimos para assistir televisão… das 20:30 até a hora dele dormir 22:30. Ja tentei de tudo… spray amargo, florais, punições despersonalizadas… nada resolve. O que fazer? Obrigada” – Juliana Guarnieri, dona do Dante, de 5 anos.

“Meu Tonny lambe todo o lugar onde ele deita, seja o sofá, a cama ou o travesseiro. Ele é um poodle pequeno, nasceu com uma perna menor do que a outra, foi esse um dos motivos que me fez escolher ele, fiquei com medo de o abandonarem pela sua deficiência, com 5 anos ele começou a ficar cego, devido a uma doença degenerativa na retina, mas mesmo andando em três patas e cego, sempre viveu muito bem-estar feliz! Em janeiro de 2014 fomos viajar e como sempre levamos ele, ficamos hospedados numa pousada que era um sobrado, apesar de avisar várias vezes que ele era cego, quando a faxineira foi limpar o quarto deixou a porta aberta e ele caiu de uma altura de quase 4 m, quebrou a bacia e ficou de cama por 15 dias Sem poder se mexer, depois que se recuperou não sai de perto de mim e lambe por horas o lugar onde deita. Não sei o que fazer ele deixa o sofá, a cama e os travesseiros todo olhado.” – Lucelia Sanches, dona do Tonny, de 11 anos.

Por Tarsis Ramão, adestradora da equipe Cão Cidadão.

Maria Aparecida, Juliana e Lucelia, tudo bem? Pelas descrições, realmente todos parecem apresentar compulsão por lambedura. Esse problema pode ser originado por vários fatores, inclusive, por problemas de pele. Por isso, antes de qualquer coisa, é muito importante a consulta com um médico veterinário, para verificar se está tudo em ordem com a saúde do seu peludo.

Uma dermatite (problema de pele), por exemplo, pode ser um fator que desencadeia coceiras ou lambeduras excessivas. Então, todas as questões fisiológicas também devem ser verificadas. Em alguns casos, medicamentos e suplementação vitamínica podem ser indicados em paralelo à terapia comportamental.

Não existe comprovação que a castração possa interferir diretamente na questão da lambedura excessiva, mas, de qualquer forma, sempre recomendamos o procedimento, pois pode prevenir muitos problemas de saúde nos cães. Por isso, uma visita ao veterinário é muito bem-vinda de qualquer forma.

Muitas vezes, esse comportamento automutilador também pode ser resultado de algum outro fator ou problema comportamental. Cães mais ansiosos, com pouca atividade física e mental durante o dia, podem desenvolver compulsão como forma de extravasar esse ócio e ansiedade.

A ansiedade de separação também é um fator que pode gerar compulsão. Alguns cães, que não lidam bem com a solidão e não sabem ficar sem companhia, podem desenvolver a lambedura excessiva em si próprio ou em algum objeto, como forma de liberar a ansiedade causada por estarem sozinhos. O que parece ser o caso do Tonny, que pode ter desenvolvido o problema após o trauma descrito. E talvez também do Pierre, já que não interage com nenhum brinquedo ou comida.

Há também os pets que desenvolvem o comportamento para chamar atenção. Uma mania inofensiva, até porque é comum os cães se lamberem em algumas ocasiões, pode se tornar compulsão quando o dono corrige a atitude. Assim, o cão entende que é uma maneira de virar o centro das atenções. O que a princípio parece o caso do Dante, já que começa a se lamber justamente no período em que está na companhia dos donos.

Bom, mas seja qual for o fator, as dicas básicas são: atividades físicas regulares, a intensidade vai variar de cada peludo, mas normalmente indicamos pelo menos uma hora por dia. O prazer e hormônios liberados nas atividades físicas podem ajudar o cão a relaxar. Enriquecimento ambiental também é fundamental. Brinquedos que escondem comidas/petiscos, espalhar petiscos pela casa ou um osso que seu peludo ama podem direcionar a lambedura e o fazer esquecer um pouco das patas ou objetos.

E evite brigar! Broncas mal executadas podem só deixar o pet mais ansioso e, consequentemente, piorar o problema ou, como dito, reforçar ainda mais a atitude, pois o cão ganha atenção e acaba sendo recompensado por se lamber. Os casos de ansiedade de separação são sempre mais complexos. Além das dicas acima, é necessária uma avaliação e um treino específico para esse problema, para que seja controlado e, assim, controlar também a lambedura. O ideal é solicitar a ajuda de um profissional especializado, para que seja adotada a melhor estratégia.

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