O seu cãozinho está com problemas comportamentais?
Pergunte para o Alexandre Rossi e Cão Cidadão
Ansiedade de Separação
23 jun 2015
Comportamento: Ansiedade de Separação
Tutor(a): Pollyanna Mendes, Viviani Sidronio e Priscila de Moraes, | O cachorro: Bianca e Antares
Como lidar com a ansiedade de separação do meu cachorro

“Olá, bom dia!!! Adorei saber que temos mais um recurso para nos ajudar a entender melhor nossos animaizinhos tão queridos. Vai a minha dúvida: tenho 2 labrador fêmea, uma de 9 anos e outra de 4 anos….(mãe e filha), acontece que as duas sofrem de ansiedade. moro em outra cidade enquanto que elas ficam na casa da minha mãe. Quando chego em casa a mais nova chora e fica andando sem parar com a bolinha na boca….tenho muito dó!!! Já a mais velha treme a mandíbula….acredito que isso seja sinal de ansiedade. Outro motivo que acredito ser determinante é que somente eu passeio com elas, então acho que há uma associação minha com passeio…. O que posso fazer para amenizar esse comportamento de ansiedade que faz tanto mal para minhas “meninas”? Obrigada!!!” – Pollyanna Mendes.

“Adotei Bianca em fev/2015, ela é uma SRD, brincalhona, mas está demasiadamente ligada à mim, me lambe o tempo todo, me segue pela casa, tem demonstrado ciúme quando beijo meu marido (Jorge) e estou com dificuldade em lidar com ela também nos momentos em que fica sozinha (destruiu a porta da cozinha) e recebi reclamação da síndica que numa noite ela chorou e latiu muito. Ela praticamente não fica só, mas há ocasiões de ausência e ela não aceita ficar presa na cozinha. Já tentei distribuir petiscos pela cozinha (escondidos), brinquedos, mas qdo chego percebo que ela nem tocou nestas ‘distrações’, como posso agir para lidar com o ciúme e estes momentos de ausência? Por favor, mande melhoras pro Barthô e um beijo carinhoso na Estopa. Obrigada.” – Viviani Sidronio, dona da Bianca (6 meses).

“Adotei o Antares em Novembro de 2013, fazia algumas semanas que ele tinha tido a perna traseira direita amputada. Eu ia levar outro cachorrinho deficiente, mas me apresentaram a ele e me contaram que ele precisa de um lar urgente senão iria morrer e acabei me apaixonando por ele. Desde que o trouxe ele sempre foi muito meigo e se apresentava muito carente, estava com a doença do carrapato e com anemia, com o tratamento adequado e muito amor ele superou isso. Sempre se deu super bem com adultos, idosos, crianças e outros cachorros, um doce, é um cachorro que raramente late. Mas todos esse amor não poderia causar outro efeito nele, ele se apegou muito a mim e eu a ele, ele sentindo essa fraqueza em nós dois chora e gani quando preciso sair sem ele, dá pra ouvir de longe seu choro e isso acaba comigo e faz meu coração partir numa dor horrível, eu queria que ele não tivesse esse medo de ficar sozinho, queria que ele pudesse se distrair sozinho e quando eu voltar encontrar um cachorrinho calmo e sem crise de ansiedade. Ah, isso sem contar que se nos últimos meses ele desenvolveu uma compulsão por papel higiênico e sujo. Ele faz a bagunça sempre eu saio ou qdo eu e meu marido não damos atenção pra ele. Como eu poderia reduzir essa ansiedade e essa síndrome do abandono?” – Priscila de Moraes, dona do Antares (8 anos).

Por Oliver So, adestrador da equipe Cão Cidadão.

Olá, Pollyanna, Viviani e Priscila! A ansiedade de separação é um problema que requer dedicação e paciência, mas tem solução. Evite fazer tudo o que seu cãozinho quer, na hora e do jeito que ele quer. Não que a gente não possa dar carinho, petisco, brinquedo e colo, mas eles podem não saber lidar com as frustrações – e ficar sozinho em casa é uma delas. Portanto, comece a fazer treinos de comandos simples para dar o que eles querem como recompensa. Se ele não fizer o que for pedido, não ganha. Assim, você estará educando e controlando a ansiedade do seu bichinho.

Um comando importante para ensinar é o “Fica”. Você diz “Fica” para o cão, dá um passo para trás e volta para frente dele. Se ele tiver ficado no lugar, recompense com um pedaço pequeno de petisco. Se tiver saído do lugar, retorne e repita. À medida que ele vai acertando, aumente a distância passo a passo, até conseguir ir para outro cômodo sem que ele saia. Esse treino serve para o cão entender que você pode se afastar ou sair do ambiente, mas sempre retorna.

O local onde seu amigo peludo ficará durante a sua ausência deve ser um dos mais interessantes da casa. Portanto, treine com ele nesse espaço, deixe grãos de ração ou petiscos espalhados para ele farejar e achar, dê brinquedos interativos e desafiadores, que ele precise mexer, morder, abrir, girar e puxar para conseguir brincar ou pegar a recompensa – comida ou outro brinquedo – que tem dentro. Esses tipos de entretenimento podem ser usados nas suas saídas, para manter o seu animal ativo e associar o momento de ausência com atividades divertidas.

Sempre que chegar em casa, o reencontro com o seu cachorrinho precisa ser o mais calmo possível. Nada de festas e abraços enquanto ele estiver ansioso. Espere ele se acalmar para dar atenção. Estabelecer rotinas diárias para os seus animais também é muito importante. Crie momentos para a atividade física (respeitando as limitações de cada pet), treinos, brincadeiras e refeições. Se possível, envolva as outras pessoas da casa.

Para casos muito complicados, vale a pena evitar o estresse do cão de ficar sozinho, deixando-o em uma creche de cães. E, caso precise de ajuda, conte com o apoio de um especialista em comportamento animal que use o reforço positivo como base.

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