O seu cãozinho está com problemas comportamentais?
Pergunte para o Alexandre Rossi e Cão Cidadão
Problemas no Passeio
4 ago 2015
Comportamento: Problemas no Passeio
Tutor(a): Angélica da Costa, Ana Paula Zanelli e Mateus Felipe., | O cachorro: Baby, Benny, Rara e Pepa.
Dicas para lidar com problemas durante os passeios

“A Baby é uma cachorrinha SRD, muito amável, comportada, carinhosa e não late quando está em casa. Nossa dificuldade é na hora do passeio, costumamos passear com ela, mas é sempre estressante pois ela puxa a gente, late para pessoas e não fica quieta. É impossível ficar sentada com ela em uma praça. Se ela ver algum de nós se afastar ela chora. Gostaríamos muito de fazer um passeio tranquilo com ela.” – Angélica da Costa, dona da Baby, de 2 anos.

“Tenho um casal de Shitz-Tzu, e sofro toda vez que vou passear com eles na rua. Todas vez que eles se deparam com outro cão, começam a latir desesperadamente, chegando ate a querer brigar. Fico sem total controle sobre eles. Devido a este problema, tenho deixado de ir a rua com eles. Pois fico constrangida com esse comportamento. dentro de casa , não posso mais receber visitas, pois acontece o mesmo comportamento.” – Ana Paula Zanelli, dona da Benny e da Rara, de 6 anos e 2 anos, respectivamente.

“Minha cachorra é uma rottweiler com vira-lata tem 4 meses e toda vez que eu levo ela pra passear ela fica com medo de tudo o que eu devo fazer. Porque eu queria que ela passeasse normalmente como os outros cachorros.” – Mateus Felipe, dono da Pepa, de 4 meses.

Por Oliver So, adestrador da equipe Cão Cidadão.

Olá, Angélica, Ana Paula e Mateus, tudo bem?

O passeio é um dos momentos em que os tutores têm mais problemas com seus cães. Às vezes, por falta de socialização adequada; outras, por hábitos equivocados durante e até antes dos passeios.

Mas um fator que dificulta muito é a falta de controle sobre o ambiente externo. Em casa, há menos estímulos e mais previsibilidade sobre o que acontece com pessoas ou animais com quem eles convivem. Na rua, há muitos sons, cheiros, pessoas e animais que não conseguimos controlar. Por isso, é essencial que o cão não saia para o passeio muito eufórico e ansioso. Quanto mais ansiedade e euforia, menos autocontrole ele vai ter.

A primeira dica é nunca fazer uma super festa na hora de pegar a coleira. Se seu bichinho já fica pulando, latindo, correndo só de ver a coleira, comece a pegá-la mais vezes durante o dia, sem que o passeio aconteça. E só a coloque no cão quando ele estiver calmo. Se ficar descontrolado, guarde a coleira.

Pegue um petisco que seu cão goste muito e leve sempre no passeio. Com tantos estímulos da rua, um petisco será um atrativo para seu amigo peludo focar mais em você. Também vamos usar o petisco para recompensar quando ele tiver um bom comportamento. Ou seja, no caso dos cães que puxam, precisamos recompensar sempre que ele estiver andando ao nosso lado, sem tensionar a guia. Se puxar, você pode mudar totalmente de direção, para que ele seja surpreendido e seja frustrado por ter puxado a guia. Evite puxar a guia só porque apareceu um cão ou pessoa. Muitas pessoas fazem isso e acabam associando o encontro na rua com uma correção na guia, que é algo desagradável.

No caso dos latidos para pessoas e outros cães, mantenha uma boa distância do local onde eles estão passando – por exemplo, dentro do prédio, a alguns metros da grade para a rua ou em um banco afastado em uma praça. Sempre que ele olhar para o alvo do latido, antes dele latir, você deve usar uma palavra curta e rápida, como “Isso!”, para indicar que ele acertou em não latir e recompensar com o petisco. À medida que seu cão for demonstrando maior tolerância às pessoas e aos outros cães, você pode ir diminuindo a distância entre eles gradativamente. Muito cuidado se seu cão reage atacando outros cães e pessoas. É preciso garantir a segurança de todos com uma focinheira, por exemplo. Para dar mais segurança no começo, você pode passear apenas em horários com menor circulação de pessoas e animais.

No caso de um cão com medo de tudo na rua, só o petisco pode não ser suficiente. É preciso respeitar os limites do seu cão, não forçando um passeio não desejado. Temos que fazer associações positivas em todo o processo até o passeio. Colocar a coleira, sair de casa, pegar o elevador, chegar à porta para a rua, sair, andar até o prédio ao lado, até a esquina etc. Tudo tem que se tornar agradável, gostoso e/ou divertido para o cão.

Você pode usar brinquedos ou brincadeiras, encontrar pessoas ou outros cães que seu bichinho goste muito e até dar as refeições nesses locais. Se o medo for muito forte, vale a pena consultar o veterinário, para verificar se há algo que ele possa receitar para ajudar nesse processo.

Lembre-se de que todo o condicionamento requer consistência e repetição. Portanto, não desistam e fiquem atentos aos mínimos avanços dos seus cães. Caso tenham dificuldade, contem com a ajuda de um especialista em comportamento animal que use o reforço positivo como base.