Entrevista com Sargento Andrade, adestrador do Batalhão de Ações com Cães

Nesse final de semana, Sargento Andrade completou 20 anos de polícia militar.

por Tenente Daniel Puga — publicado 24 maio 2015 - 16:40

Foto: Arquivo Pessoal.

Foto: Arquivo Pessoal.

São muitos os heróis da vida real que passam despercebidos, lutando todos os dias e passando por cima das mais diversas adversidades. Através de seus trabalhos, doam muito de si mesmos com o objetivo de transformar a sociedade em um lugar mais justo e seguro.

O personagem de hoje é o Sargento Andrade, adestrador do Batalhão de Ações com Cães, que nesse final de semana completou 20 na polícia militar e durante sua vida profissional, trabalhou em missões importantíssimas, como no auxílio à população de Angra dos Reis durante o desastre natural em 2009.

Descubra um pouco mais sobre sua história e sobre seus parceiros caninos que o acompanharam e continuam até hoje nessa jornada, formando laços de amizade e cumplicidade que poucos conseguiriam compreender, compartilhando missões, desafios e uma vida.

 

PdD: Fale um pouco de você. Como é a sua vida familiar?

Meu nome é Getulio Andrade tenho 40 anos. Sou casado desde 97 (18 anos ) foi meu primeiro casamento, e único se Deus permitir. Tenho uma filha de nome Luísa de 4 anos. Família é tudo pra mim. E o BAC é a minha segunda família.

 

PdD: Quando você entrou pra PM? Como foi o seu recrutamento?

No dia 23 de maio de 1995. Foi tranquilo, teve a duração de 12 meses e ao termino fiz um estágio no 7° Batalhão de Policia Militar (São Gonçalo),  sendo classificado depois no 16° Bpm.

 

PdD: Como você conheceu o serviço de cães na Policia Militar?

Um colega da própria turma falou que tinha um lugar legal dentro da Polícia pra ir. Vim para cá junto com ele e mais 2 companheiros de turma. Mas apenas eu permaneci. Na época o Canil era uma companhia do 16° Bpm, então foi só pedir para ser classificado lá.

 

PdD: Conte para nós como foi o seu Curso de Adestradores de Cães para Emprego Policial.

Risos. Curso é curso né guerreiro? Você aprende tanto a adestrar o cão quanto a operar com ele, em situações das mais difíceis que possam surgir dentro da missão. Transpor um rio , escalar uma montanha, descer de rapel. Tudo isso com o cão. O lema que eu aprendi no curso foi “Levarei meu cão onde preciso for”. Chega um momento na sua vida que o cão passa a fazer parte de você. Quando perdi meu cão foi como se eu tivesse perdido uma parte de mim. Que dor.

 

PdD: Qual o nome do cão que fez o curso com você?

Athos, um pastor alemão capa preta que continou trabalhando comigo até sua reforma. Passou toda a vida profissional dele comigo. Antes do meu casamento (1997) eu avisei para minha esposa que já tinha um cão na polícia e que ele iria morar comigo quando fosse reformado. Minha esposa tinha um gato e ficou apreensiva. Quando ele se aposentou em 2004, foi para minha casa.

 

Foto: Arquivo Pessoal

Athos, o gato e mais um amigo canino SRD em casa. Foto: Arquivo Pessoal

 

PdD: Quais cursos você fez na Policia?

CACEP, CCFAD, Curso de Condutores de Cães Farejadores de Explosivos, Cursos de Armamento menos Letal (TASER). Sendo o CACEP o mais importante pois me deu base para todos os outros cursos.

 

PdD: Qual foi a missão mais importante da sua carreira?

Em 2009, a cidade de Angra dos Reis sofreu um sério desastre natural. Enchente e soterramento. Fomos acionados no dia 31 . Estava em casa vendo pela televisão e meu telefone tocou acionando a nossa equipe para apoiar nas buscar por pessoas soterradas. Já no dia 1° estávamos na Ilha do Bananal , pousada Sankai. Os cães Anne, Furia e  Euro nos ajudaram a demarcar os lugares onde podiam existir pessoas soterradas. Inúmeras famílias tiveram a chance de se despedir dignamente de seus entes queridos. Isso não tem preço. Servir e proteger.

 

PdD: Algum cão que sente saudade ?

O Athos né? Meu cão era tão bom, que qualquer um que pegasse na guia, ele trabalharia igual. Fiz uma camisa para homenageá-lo, mas nunca consegui utilizar. Também sinto muita falta da Froukje. Uma cadela da raça pastor alemão, farejadora de explosivos que trabalhou comigo por anos. Cadela muito companheira e leal, que já foi comigo para missões até mesmo fora do estado.

 

PdD: Qual o seu maior sonho ?

A: Meu maior sonho é poder continuar aqui até o final da minha carreira, poder continuar frequentando esse lugar maravilhoso depois de reformado e continuar ajudando a esta unidade que me deu tudo que eu tenho até hoje.

 

Foto: Arquivo Pessoal

Foto: Arquivo Pessoal

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