A China que não come carne de cachorros

A cultura milenar entra em choque com valores relativamente novos e que em um passado recente não pertenciam a maior população do mundo.

por Samantha Kelly — publicado 17 jun 2015 - 20:32

Apesar de ser muito mais comum escutar falar sobre o consumo de carne canina na China, o que leva muitos a chegarem a conclusão que todos os chineses comem carne de cachorro, existe um grande número de pessoas que não são adeptas a essa prática e lutam para que haja uma mudança de hábitos nesse país milenar.

Para nós que fazemos parte de uma cultura que além de não comer cães, deposita na espécie um papel emocional grande, a ideia de um cachorro servir de comida é chocante e totalmente tabu.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Mesmo que em regiões como o sul e nordeste da China, muitos considerem a carne canina uma iguaria e escolham persistir com a tradição que data há milhares de anos, houve claramente uma mudança significativa de pensamento a partir do século 21, com o consumo geral caindo em um terço em comparação com 2013.

Três fatores são cruciais nessa mudança: o primeiro sendo o governo local implementando regras mais rígidas; o segundo a pressão da comunidade internacional e uma própria mudança no comportamento de muitos chineses que passaram a possuir cães como animais de estimação; e a terceira sendo o incentivo à atenção com a procedência das carnes, com muitos animais de estimação sendo roubados para o consumo posterior utilizando até mesmo técnicas como o envenenamento.

Em casos específicos no país, como o de Hong Kong, é proibido o consumo de carne canina desde seus tempos como colônia britânica em 1950, penalizando para os que forem contra a norma multa ou empresionamento.

Mais recente, restaurantes renomados, como o Sunshine, em Guangzhou, que primeiro abriu suas portas em 1963, se vêem obrigados a fechar as portas por que a demanda pela carne canina está caindo. Outros estabelecimentos das redondezas não fecharam as portas ainda, mas escolheram retirar as carnes caninas e felinas de seus cardápios em resposta a crescente preocupação com o bem estar animal.

Protetores de animais param um caminhão que carregava 500 cães para o mercado em Beijing. Foto: AFP

Protetores de animais param um caminhão que carregava 500 cães para o mercado em Pequim. Foto: AFP

Com a globalização e a influência dos países ocidentais, as grandes cidades da China estão cada vez mais suscetíveis à mudança. Um exemplo de como a opinião internacional tem sido fundamental na questão é o caso das Olimpíadas de Pequim, em 2008, quando os oficiais ordenaram que os 112 restaurantes credenciados retirassem itens que envolvessem carne de cachorros de seus menus para não gerar comoção com os turistas.

Iniciativas locais como a Chinese Animal Protection Network (CAPN) e outros grupos de protetores estrangeiros, como a norte-americana Duo Duo Animal Welfare, lutam para que o consumo seja abolido. A briga é grande e as dificuldades não ficam só com a tradição, mas com o fato de ser tecnicamente legal comer um cachorro ou gato no país e com o argumento dos que consomem e vendem carne canina, que chamam de hipocrisia a ideia de que alguns animais podem ser comidos e outros não.

Para adicionar mais pressão de fora, movimentos online ganham força graças as redes sociais e contam com o peso de nomes famosos no entretenimento, como o do comediante Ricky Gervais. Vimos uma grande movimentação contra o Festival de carne canina que comemora o Solstício de Verão em Yulin, na região de Guangxi, este possuindo uma estimativa de abate de mais de 10 mil cães. A hashtag #stopyulin2015 foi usada milhares de vezes no Twitter e uma petição contra o evento no site Change.org teve mais de 200 mil assinaturas. Apesar de tanto o Twitter quanto o Facebook serem proibidos na China, a discussão dentro do país segue viva e utilizando a rede social Weibo, 350 mil pessoas participaram de um forum debatendo sobre o tema, com argumentos tanto contra quanto a favor.

A força da mudança é sentida na prática, até mesmo causando o fim do festival em Qianxi, na província da Zhejiang, que era similar ao de Yulin e já existia há 600 anos.

Foto: Flickr/Animals Asia

Foto: Flickr/Animals Asia

No geral, apesar de a China não ser um exemplo quando o assunto é o direito nos animais, vários países como um todo não o são, incluindo o Brasil. No caso dos chineses, a cultura milenar entra em choque com valores relativamente novos e que em um passado recente não pertenciam a maior população do mundo. A mudança envolve economia, tradição, hábitos alimentares arraigados através de dezenas de gerações e muita história. Segundo uma investigação de quatro anos da  NGO Animals Asia, apesar de ser um mercado em sua grande maioria sem regulamentação, estima-se que 10 milhões de cães sejam consumidos na China todo ano.

Especificamente quanto ao consumo da carne canina, os motivos vão desde o afastamento de má sorte à fatores afrodisíacos. Ainda há registros de consumo da carne em diversos países no mundo, seja por parcelas grandes da população ou por minorias. A mudança real é mais complexa e fragmentada, já que cada região possui suas próprias leis e culturas e vive de acordo com o que julgam ser o certo.

Paul McCartney apoia campanha da PETA em prol de 150 cachorros

por Andrezza Oestreicher — publicado 19 out 2017 - 9:32

A PETA (People for the Ethical Treatment of Animals, em português “Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais”) é a maior organização de direitos dos animais no mundo, com mais de 6,5 milhões de membros e apoiadores.

Este mês, a organização ganhou um apoio de peso em uma de suas campanhas. O cantor Paul McCartney se juntou à PETA para ajudar cerca de 150 cachorros que estão sendo negligenciados por uma empresa nos Estados Unidos.

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Cachorro fica em incêndio e protege rebanho de cabras da família

por Andrezza Oestreicher — publicado 18 out 2017 - 9:21

Quanto mais nós conhecemos novos cachorros e ficamos sabendo das diferentes histórias envolvendo estes animais pelo mundo todo, mais nós nos encantamos e nos surpreendemos com a quantidade de amor e lealdade que eles são capazes de oferecer.

No condado de Sonoma, na Califórnia, um cachorro se arriscou durante um grande incêndio para proteger o rebanho de cabras de sua família.

De acordo com Roland Hendel, proprietário do lugar, ele não teve tempo de salvar todos os membros de sua família do fogo.

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Califórnia proíbe a venda de animais provenientes de “fábricas de filhotes”

por Andrezza Oestreicher — publicado 17 out 2017 - 18:31

O governador da Califórnia, nos Estados Unidos, deu um enorme passo para o fim da comercialização de animais de estimação. A partir do ano que vem, será proibida a venda de cães, gatos e coelhos provenientes de criadores ilegais e de fábrica de filhotes no estado norte-americano.

De acordo com uma nova lei, que foi assinada pelo governador Jerry Brown no dia 13 de outubro e entrará em vigor no dia 1º de janeiro de 2019,

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Paul McCartney apoia campanha da PETA em prol de 150 cachorros

por Andrezza Oestreicher — publicado 19 out 2017 - 9:32

A PETA (People for the Ethical Treatment of Animals, em português “Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais”) é a maior organização de direitos dos animais no mundo, com mais de 6,5 milhões de membros e apoiadores.

Este mês, a organização ganhou um apoio de peso em uma de suas campanhas. O cantor Paul McCartney se juntou à PETA para ajudar cerca de 150 cachorros que estão sendo negligenciados por uma empresa nos Estados Unidos.

Paul McCartney está tentando ajudar a PETA a salvar 150 cães da raça Galgo. (Foto: Reprodução / Kamil Krzaczynski / AFP)

De acordo com a PETA, um grupo de cães aposentados da raça Galgo, que eram utilizados em corridas, vem sendo maltratado no interior da The Pet Blood Bank, empresa fixada no Texas que distribui produtos sanguíneos caninos utilizados em transfusões veterinárias.

Os cães são utilizados pela empresa com fontes de sangue. A raça foi escolhida por apresentar com mais facilidade um tipo sanguíneo universal e funcionários do local chegam a retirar sangue dos cachorros várias vezes por mês.

Uma matéria feita em parceria com a PETA e publicada no The Washington Post apresentou detalhes de como os cães vivem no interior da empresa, em instalações inadequadas e espaços bem pequenos e descuidados. Além disso, fotografias feitas do local e dos animais por um ex-funcionário da The Pet Blood Bank mostram também que os cães estão desnutridos.

Fotos feitas por um ex-funcionário da empresa mostram as péssimas condições do local onde os cães vivem. (Foto: Reprodução / The Washington Post / PETA)

A PETA afirma ainda que muitos destes animais estão com diversos problemas de saúde por conta das condições em que vivem e da falta de cuidados.

No dia 10 de outubro, Paul McCartney escreveu uma carta para James Wiltz, CEO da Patterson Veterinary Supply, empresa que distribui os produtos do The Pet Blood Bank. A carta pede melhores cuidados para os cães e que eles sejam doados, para que finalmente possam ir para lares amorosos. A carta foi escrita e divulgada depois que a Patterson Veterinary Supply não cumpriu com sua promessa de que iria garantir que os cães receberiam melhores cuidados.

Os cachorros que vivem na empresa estão desnutridos e muitos apresentam problemas de saúde. (Foto: Reprodução / The Washington Post / PETA)

Confira uma tradução (livre) da carta escrita por Sir Paul McCartney:

“Prezado Sr. Wiltz,

Eu estou escrevendo para apelar para você intensificar, cumprir sua promessa anterior e resgatar os cães cujo sangue sua empresa tem usado há muitos anos, sabendo que esses 150 cães ou mais – que foram permitidos que chegassem a uma forma assustadora e que agora são mantidos em condições bem distantes do ideal, ajudaram seus negócios ao custo de seu bem-estar.

Tive cães desde que eu era um menino e amei todos eles, inclusive Martha, que foi minha companheira por cerca de 15 anos e sobre quem escrevi a música “Martha, My Dear”. Tenho certeza que você sabe que os cães precisam de carinho e uma cama confortável para repousar, calor no inverno, a oportunidade de correr e brincar, e assim como você e eu, eles desejam felicidade e companheirismo.

Eu me junto aos meus amigos da PETA para solicitar que você livre esses Galgos e que eles sejam afastados das condições áridas e enfadonhas em que são mantidos, isolados e sozinhos, alguns deles chorando com a aproximação da pessoa que vem tomar seu sangue por repetidas vezes. Eles tiveram uma vida difícil na pista de corrida, e eles vão morrer sem amor se forem deixados onde estão. Eu vi fotos de como eles sofreram com unhas que cresceram de volta para as almofadas das patas, bem como de gengivas infectadas e dentes apodrecidos, e me disseram que alguns aparentemente morreram por falta de água.

Pessoas boas, socorristas de Galgos profissionais, estão preparados para colocar esses cachorros em boas casas e transportá-los para essas casas, sem nenhum custo para ninguém. Faça o que é certo e ganhe o apoio de todos os veterinários gentis e todas as almas bondosas em todo o mundo.

Estou ansioso por notícias suas.

Atenciosamente,

Sir Paul McCartney”.

Carta original escrita por Paul McCartney. (Foto: Reprodução / PETA)

Fonte: 943 Jack FM / Billboard

Cachorro fica em incêndio e protege rebanho de cabras da família

por Andrezza Oestreicher — publicado 18 out 2017 - 9:21

Quanto mais nós conhecemos novos cachorros e ficamos sabendo das diferentes histórias envolvendo estes animais pelo mundo todo, mais nós nos encantamos e nos surpreendemos com a quantidade de amor e lealdade que eles são capazes de oferecer.

No condado de Sonoma, na Califórnia, um cachorro se arriscou durante um grande incêndio para proteger o rebanho de cabras de sua família.

A propriedade ficou completamente destruída. (Foto: Reprodução / Facebook Roland Tembo Hendel)

De acordo com Roland Hendel, proprietário do lugar, ele não teve tempo de salvar todos os membros de sua família do fogo. Além de seus filhos, ele tem ainda dois cães e oito cabras. Quando percebeu o fogo se aproximando de sua casa, ele só teve tempo de salvar as crianças e um dos cães, Tessa.

O cachorro Odin estava com as cabras. Ele poderia ter fugido e Roland não conseguia entender qual o motivo do cão ter continuado onde estava.

Roland perdeu absolutamente tudo, mas sua maior dor era em relação seu grande amigo Odin e as cabras que tinham ficado no incêndio. Ele estava se sentindo bastante culpado por não ter conseguido salvar os animais. “Eu tinha certeza de que os tinha condenado a uma morte horrível e agonizante”, escreveu ele em uma rede social.

Apesar de bastante exausto e sujo, o cão Odin foi encontrado vivo junto com as cabras. (Foto: Reprodução / Facebook Roland Tembo Hendel)

Quando o fogo acabou e ele teve permissão de voltar ao local onde ficava sua casa, Roland e sua família tiveram uma surpresa maravilhosa. Em meio à devastação total da casa, oito de suas cabras resgatadas e o cachorro Odin continuavam na área, vivos, apesar de visivelmente cansados.

Odin estava bastante exausto e sujo por conta da fumaça, mas parecia estar bem. O reencontro com a família, principalmente com a cadela Tessa, deixou o cão bem animado.

“Ele parece estar ficando mais forte, e a presença de sua irmã seguramente ajudará a levantar seus espíritos e tirar um pouco do peso de seus ombros gigantes”, afirmou Roland.

O reencontro com sua família deixou Odin muito animado. (Foto: Reprodução / Facebook Roland Tembo Hendel)

Todos acreditam que o cão tenha ficado no local para cuidar das cabras, pois ele sabia que isso era sua responsabilidade no momento em que aconteceu o incêndio. Porém, como eles conseguiram se salvar continua sendo um grande mistério.

Fonte: Life With Dogs