Na Índia, cães de rua são uma ameaça

por Samantha Kelly — publicado 8 ago 2012 - 11:25

Vítimas de ataques surpresa mancam para dentro de um dos maiores hospitais públicos da cidade. Recentemente, entre as centenas estavam crianças encurraladas em suas casas, estudantes emboscados no caminho para a escola e pessoas de idade saindo do trabalho.

Todos contaram a mesma história assustadora: foram mordidos por cães de rua.

Deepak Kumar, 6, apresentava um corte em suas costas causado por um cachorro que atacou o casebre de sua família.

“Nós por fim fechamos os portões para nossa vila e batemos no cachorro até ele morrer”, disse o pai de Deepak, Rajinder.

Nenhum país tem tantos cachorros de rua como a Índia, e nenhum país sofre tanto com eles. Os cachorros de rua são dezenas de milhões e mordem milhões de pessoas anualmente, incluindo um grande número de crianças. Cerca de 20 mil pessoas morrem todos os anos infectadas pela raiva – mais de um terço da estatística global da raiva.

Bandos de cães de rua se escondem em parques públicos, guardam vielas e esquinas e uivam à noite nos bairros e vilarejos. Pessoas que correm carregam pedaços de bambu para bater nos cães, e ciclistas enchem os bolsos com pedras para jogar naqueles que os seguem. Andar com um cachorro de estimação aqui pode ser equivalente a nadar com tubarões.

Uma lei de 2001 proíbe a matança de cães, e a população de rua aumentou tanto que funcionários de todo o país expressaram alerta.

Em Mumbai, onde mais de 80 mil pessoas reportaram ser mordidas no ano passado, o governo planeja realizar um censo dos cães de rua usando motos para segui-los e tingindo seus pelos com tinta spray. Um membro da Assembleia Legislativa de Punjab propôs em junho mandar os cães para a China – onde às vezes se comem cães – depois que mais de 15 mil pessoas no estado disseram ter sido mordidas no ano passado. Em Nova Déli, funcionários anunciaram recentemente uma campanha intensiva de esterilização.

A posição da índia como um centro global para cães com raiva é antiga: o primeiro cachorro infectado com raiva provavelmente era indiano, diz o Dr. Charles Rupprecht, chefe do programa de raiva nos Centros para Controle e Prevenção de Doenças em Atlanta. As mordidas de cães causam 99% das mortes de seres humanos por raiva.

De fato, acompanhar a raiva no subcontinente é desafiador porque as relações que os cães indianos mantém com os seres humanos são ancestrais. O cão pária indiano, a raça dominante nas ruas, é provavelmente descendente de um antigo imigrante chinês, diz Peter Savolainen, professor de genética evolucionária no Instituto Real de Tecnologia em Estocolmo. Com orelhas pontudas, uma cabeça triangular e um rabo que se enrola sobre as costas, o pária se parece com outros cães pré-históricos como o dingo australiano.

 

 

Por milhares de anos, a relação dos cães com os seres humanos foi semelhante à do peixe piloto com os tubarões, diz John Bradshaw, diretor do Instituto de Antrozoologia da Universidade de Bristol na Inglaterra.

“Os cães essencialmente começaram se alimentado de carniça”, diz Bradshaw. “Eles evoluíram para andar em torno das pessoas em vez de ser úteis para elas.”

Embora essa relação tenha desaparecido em grande parte no mundo desenvolvido, ela continua sendo a relação dominante na Índia, onde os cães de rua sobrevivem dos montes de lixo onipresentes. Alguns são alimentados e usam coleiras de moradores que os valorizam como cães de guarda e companheiros, embora distantes. Os hindus são contra matar muitos tipos de animais.

Malini Jadeja, que mora em Déli parte do tempo, diz que estava andando com seu amado cachorro Fudge Cake há alguns anos não muito longe do Jardim Lodi quando “dois cachorros surgiram do nada e atacaram”, Fudge Cake estava na coleira, então não conseguiu fugir.

“Eu tentei agarrar os cães e puxá-los para longe, mas quando eu conseguia pegar um, o outro atacava”, disse Jadeja. “Eles mataram Fudge Cake na minha frente.”

Ela se culpa pela morte do cachorro e ainda vive aterrorizada pelos cães de rua.

“É muito difícil levar um cão para passear aqui por causa dos ataques dos cães de rua”, diz Radhey S. Sharma, presidente da Associação Veterinária Indiana.

 

 

Entretanto, a crescente classe média indiana começou a adotar ideias ocidentais para cuidar dos animais, comprando cães com pedigree e levando animais para dentro de casa. Mas muitos cachorros com pedigree acabam na rua, abandonados por criadores mal sucedidos ou donos que se cansam da experiência.

Os cães de rua são perigosos não só por causa de seus dentes mas também porque abrigam carrapatos e outros parasitas. Mas os defensores do bem-estar dos animais rejeitam veementemente a eutanásia; e alguns alertam que reduzir a população de cães de rua e não fazer nada com os montes de lixo do país pode ser perigoso porque os ratos podem se proliferar no lugar dos cães.

“A primeira coisa para começar a reduzir a população de cães de rua é administrar melhor o lixo”, diz Arpan Sharma, diretor-executivo da Federação de Organizações Indianas para a Proteção Animal. “E a segunda coisa é uma esterilização agressiva, castrando e vacinando os animais.”

Jaipur reduziu sua população de animais de rua, mas é uma exceção solitária que superou desafios enormes não só logísticos mas também culturais.

“As pessoas de fato não querem que nós tiremos os cães das ruas, particularmente nas áreas pobres”, diz o Dr. Jack Reece, veterinário de Jaipur que ajudou a liderar a iniciativa na cidade. “Em outras áreas, especialmente muçulmanas, eles não nos deixam soltar os cachorros novamente. Eu já fui cercado por grandes multidões de jovens irritados dizendo que eu não podia soltar os cães lá, embora eles tivessem sido tirados do mesmo local dois dias antes.”

 

 

Mais de uma dúzia de especialistas entrevistados disseram que o problema dos cães de rua da Índia só piorará até que uma vacina contraceptiva canina, ainda no laboratório, torne-se amplamente disponível e barata.

O Dr. Rosário Menezes, pediatra de Goa, diz que a Índia não pode esperar tanto. Os cães precisam ser retirados das ruas mesmo que isso signifique matá-los, diz ele.
“Sou a favor do direito das pessoas andar na rua sem medo de serem atacadas por bandos de cachorros”, diz ele.

Arshpreet Kaur tinha três anos quando um cão de rua entrou pela porta da frente de sua casa e mordeu ela e o avô. Em uma semana, Arshpreet teve dor de cabeça e depois febre. Seus pais a levaram para um hospital, mas ela entrou em coma, estado no qual permaneceu por nove anos antes de morrer.

“Há cães de rua por toda parte em Déli”, disse a mãe de Arshpreet, Jasmeen Kaur, numa entrevista por telefone. “Temos mais medo de mordidas de cachorro do que de qualquer outra coisa.”

 

Fonte

No Rio de Janeiro será proibido utilizar animais para testes de produtos cosméticos

por Andrezza Oestreicher — publicado 15 dez 2017 - 9:29

E a causa animal teve mais uma vitória no Brasil. Nos próximos dias, será promulgada uma lei que proíbe o uso de animais para testes de produtos cosméticos.

Em uma votação feita na última terça-feira, dia 14 de dezembro, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) derrubou, por 40 votos a favor e nenhum contra, o veto do governador Luiz Fernando Pezão e sancionará lei proibindo o uso de animais para cosméticos.

A lei irá valer em todo o estado do Rio de Janeiro e,

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Em Portugal, crianças aprendem na escola sobre comportamento e bem-estar dos animais de estimação

por Andrezza Oestreicher — publicado 14 dez 2017 - 18:38

As pessoas costumam dizer que as crianças são o futuro planeta e a esperança de um mundo melhor. Pensando nisso, surgiu, em Portugal, o projeto “Eu Cuido. Um mundo melhor para os animais”.

O “Eu cuido”, que até o ano que vem vai atingir cerca de oito mil alunos só na Grande Lisboa e no Grande Porto, tem como maior objetivo ensinar e sensibilizar as crianças para diversos temas relacionados a animais de estimação.

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Miley Cyrus faz nova tatuagem em homenagem a mais um de seus cachorros

por Andrezza Oestreicher — publicado 14 dez 2017 - 9:31

A atriz e cantora Miley Cyrus é uma apaixonada por cães e faz questão de deixar marcado e gravado na pele todo esse amor.

Dona de várias de tatuagens, estima-se que ela já tenha mais de 30 espalhadas pelo corpo, alguns dos desenhos escolhidos por Miley foram feitos como homenagens para os seus animais.

Mary Jane ❤️

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No Rio de Janeiro será proibido utilizar animais para testes de produtos cosméticos

por Andrezza Oestreicher — publicado 15 dez 2017 - 9:29

E a causa animal teve mais uma vitória no Brasil. Nos próximos dias, será promulgada uma lei que proíbe o uso de animais para testes de produtos cosméticos.

Em uma votação feita na última terça-feira, dia 14 de dezembro, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) derrubou, por 40 votos a favor e nenhum contra, o veto do governador Luiz Fernando Pezão e sancionará lei proibindo o uso de animais para cosméticos.

(Foto: Reprodução / The Wildcat Voice)

A lei irá valer em todo o estado do Rio de Janeiro e, de acordo com o seu texto, fica proibido o uso de animais para desenvolvimento, experimento e teste de produtos cosméticos, higiene pessoal, perfumes, limpeza e seus componentes. Além disso, também será proibida a comercialização de produtos que tiverem tido seus testes feitos em animais.

“Já há metodologias que fazem testes desses produtos sem utilizar os animais, então, nós temos que respeitar a dignidade dos animais e não tratá-los de forma cruel”, afirmou o deputado Gilberto Palmares, um dos autores do o projeto de lei 2.714/14, em comunicado oficial.

De acordo com Elizabeth Mac Gregor, diretora do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA) do Ministério da Ciência e Tecnologia emitiu um relatório em 2016 reconhecendo que os métodos alternativos validados são mais eficientes do que o modelo animal.

(Foto: Reprodução / sirireporter)

Para quem quer ter certeza se suas marcas preferidas não fazem testes em animais ou quer passar a escolher marcas que não contribuem com maus-tratos a animais, é só buscar no site do PETA a lista com as empresas certificadas que utilizam métodos alternativos de testes.

Para ter essas informações de empresas nacionais, é só entrar no site do Projeto Esperança Animal (PEA).

Fonte: O Globo / Capricho

Em Portugal, crianças aprendem na escola sobre comportamento e bem-estar dos animais de estimação

por Andrezza Oestreicher — publicado 14 dez 2017 - 18:38

As pessoas costumam dizer que as crianças são o futuro planeta e a esperança de um mundo melhor. Pensando nisso, surgiu, em Portugal, o projeto “Eu Cuido. Um mundo melhor para os animais”.

O “Eu cuido”, que até o ano que vem vai atingir cerca de oito mil alunos só na Grande Lisboa e no Grande Porto, tem como maior objetivo ensinar e sensibilizar as crianças para diversos temas relacionados a animais de estimação.

As crianças vão aprender em sala de aula sobre cuidados e bem-estar animal. (Foto: Reprodução / Sapo Lifestyle / Projeto “Eu Cuido”)

Apesar da pureza e do amor que as crianças possam ter logo de cara com os animais, é importante que elas aprendam que eles não são brinquedos e também têm necessidades e precisam de cuidados.

Através do projeto, as crianças terão informações sobre cuidados, saúde, bem-estar, comportamento, regras de interação e o papel dos animais de estimação na sociedade.

Essas informações serão passadas para os alunos em sala de aula durante sessões interativas por um orientador, que vai responder questões como “Quais as diferenças entre o cão e o gato?”, “Quais os seus comportamentos?”, “Que atitudes devemos ter quando estamos perto de um destes animais?”, e apresentar conteúdos através de vídeos temáticos com os personagens Zé Gato e Cão Peão.

Além disso, durante as “aulas”, as crianças também irão conhecer pessoalmente alguns cães policiais, cães de terapia, cães-guia e saber mais sobre o trabalho destes animais, que é tão importante para a comunidade e para as pessoas que dependem deles.

Os alunos também irão conhecer cães policiais, cães de terapia, cães-guia e saber mais sobre a importância do trabalho destes animais. (Foto: Reprodução / Sapo Lifestyle / Projeto “Eu Cuido”)

“O ‘Eu Cuido’ é um projeto educativo que pretende contribuir para uma mudança de mentalidades desde a infância, para uma adequada e sã convivência com os animais de companhia. Queremos educar uma geração para agir com base no respeito e cidadania, porque se construirmos ‘um mundo melhor para os animais’ estamos também a fazer um mundo melhor para todos nós”, explica Filipa Herédia, coordenadora do projeto.

Ainda de acordo com Filipa, o projeto é “inclusivo, interativo e adequado ao nível de conhecimento e interesse das crianças, que procura levá-las a conhecer os animais de estimação através de conteúdos pedagógicos, multimédia, passatempos e jogos”.

O projeto “Eu cuido” conta com a colaboração de psicólogos e entidades que promovem o bem-estar dos animais.

Fonte: Susana Krauss / Sapo Lifestyle