Preconceito contra cães de raça e hostilizaçao contra seus tutores

Se você ama um cachorro, ame todos os cachorros.

por Samantha Kelly — publicado 29 maio 2015 - 15:33

Cães Sem Raça Definida, os nossos queridos vira latas, sempre sofreram muito preconceito da sociedade. Distantes de serem um símbolo daquele grupinho seleto que representava status, eu lembro bem que as pessoas tinham vergonha e se sentiam intimidadas em sair com seus SRDs, justamente pelos olhares de julgamento.

Felizmente, graças ao trabalho incrível de ONGs e protetores independentes, de inúmeras campanhas e da própria mudança de perspectiva do público, podemos ver que estamos seguindo para frente, mesmo que as vezes os passos sejam pequenos.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Falando de maneira realista, sem dúvida ainda estamos muito longe do ideal, e é inegável que ainda há muito a ser feito. Os SRDs ainda precisam muito de nossa ajuda e continuam sofrendo muito preconceito, porém, não acredito que a melhor forma de incentivar a adoção seja pregar que x é melhor que y, afinal, dessa maneira, estaremos apenas reproduzindo o mesmo preconceito que queremos quebrar.

Preconceito, para deixar mais claro, é  “um juízo preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória”. Muitas pessoas em nossas redes sociais não podem ver um cachorro de raça definida sem falar frases já batidas como “Por que não é um SRD?”, “Por que não adotou?”, “Que hipócrita, tem um RD, mas diz que gosta de animais”, etc.

É tão automático para algumas pessoas que até em matérias que falam sobre cães de RD que foram adotados, mesmo assim ainda escolhem falar mal e seletivamente ignorar que eles também foram abandonados e vítimas de maus-tratos.

E é essa abordagem que gostaríamos de questionar. Se você não concorda com o comércio de animais, e por pensar assim, acredita que tem o direito de hostilizar os tutores desses cães para “conscientizar”, como se os fins justificassem os meios, estará não só atrapalhando o diálogo sobre adoção, como também ultrapassando o limite do respeito pelo espaço do próximo.

Devemos lembrar que adotar ou comprar um cachorro é uma decisão pessoal e que algumas pessoas podem simplesmente querer determinada raça, independente do quanto você fale, e os motivos podem ser os mais diversos, indo desde um trabalho específico (sejam os Border Collies e sua incrível habilidade para o pastoreio, o Labrador Retriever como um cão de serviço e rastreamento, o São Bernardo para resgate, e tantos outros), até uma maior associação com os traços que aquela raça carrega. Não é um pecado o que eu estou falando, é uma realidade.

E se mesmo falando sobre adoção a pessoa ainda assim decidiu comprar, esse ainda é um direito no Brasil, não o pinte como vilão e muito menos seja preconceituoso e agressivo quando apresentar seu ponto. Converse sobre a importância de conhecer a mãe, o canil, o criador, que nunca compre sem ver com os próprios olhos o lugar onde os cães são criados, que pesquise muito antes de adquirir determinada raça, sobre posse responsável e sobre o compromisso de uma vida que é receber um animal. Nós escrevemos um artigo sobre esse mesmo assunto AQUI.

No final das contas, tudo volta para o respeito pelo outro, sem impor que ele viva e seja de acordo com o que você julga ser o caminho correto. Se você não compraria um cão, continue sem comprar um animal, foque a sua energia em conscientizar de maneira respeitosa quanto a decisão do próximo.

Não se preocupe com o animal que está sendo amado em uma casa por um tutor que o oferece todo cuidado necessário e uma vida digna. E isso é para as pessoas que deixam comentários em todas as postagens de famosos e anônimos que têm cães de raça e começam a julgar e falar o como eles estão errados, sem nem saber de fato a história daquela pessoa e daquele cão.

Lute contra o verdadeiro vilão e vá atrás da reprodução desenfreada de cachorros que as próprias pessoas promovem, das puppy mills que se espalham, dos estabelecimentos que vendem esses animais abusados, do governo omisso que joga a responsabilidade nos ombros da sociedade civil, dos tutores irresponsáveis que maltratam e abandonam seus cães, com e sem raça definida, aos montes todos os dias, etc.

Apesar de toda a repercussão e dos ataques na esfera pessoal a minha pessoa após ter publicado esse artigo, eu ainda assim reforço que acredito na tolerância, na troca de ideias e continuo sendo contra a intimidação como forma de mudar a cabeça da sociedade.

Até chegaram a sugerir que eu teria algum motivo pessoal para ter escrito essa matéria. Nós aqui no Portal do Dog não permitimos que ninhadas sejam anunciadas, nunca fizemos o anúncio de um canil, não possuímos um canil e eu, ao contrário do que afirmaram por aí, nunca comprei um cachorro, adotei 4 na minha vida.

Se você não faz isso, esse texto não é para você. Não, ele não foi escrito para protetores ou ninguém em específico, muito pelo contrário, mas para pessoas que se confundiram em um argumento de quem é melhor que o outro. Esse texto foi construído para fazer pensar, não para mudar a opinião de ninguém. Se você deixa comentários negativos para alguém, se pergunte se esse realmente é o argumento certo que fará alguém decidir entre adotar ou comprar.

Desde o primeiro dia que começamos esse trabalho, incentivamos a adoção, em diversas matérias, informando e tentando mudar a percepção das pessoas sobre o tópico, dando espaço para grupos de proteção animal e criando nosso próprio projeto chamado “ONG na minha Cidade” para tentar fazer uma ponte entre possíveis adotantes e animais. Continuaremos fazendo isso e muito mais, mas apesar disso tudo, sempre defenderemos um diálogo construtivo como única maneira de alcançar uma mudança.

Ao falar sobre o preconceito específico contra cães de raça E seus tutores, e apresentar uma faceta nesse complexo meio, não quer dizer que estamos desmerecendo os preconceitos sofrido por cães SRD, Pit Bulls, idosos, deficientes, e tantos outros ou falando que este tópico é mais sério do que os outros. Estamos simplesmente apresentando uma situação, e mesmo que alguns afirmem que ela não existe, nós vemos o tempo inteiro nas nossas redes.

Só acho que se queremos um mundo que todos os cachorros sejam vistos de maneira igual, temos que começar por nós mesmos. Espero que um dia os amemos como a espécie rica e plural que é, esquecendo todos esses significados que nós, os humanos, inventamos.

 

Atualização 02/06/15 às 12:08.

Leitura recomendada: Lidando com a adoção e a compra de cachorros

Com medo da violência, policial leva cães que viviam em UPP para abrigo

por Andrezza Oestreicher — publicado 19 out 2017 - 18:33

Nós já falamos bastante sobre a crescente da violência no Rio de Janeiro e como isso vem afetando cada vez mais os animais.

A situação está tão grave, que dois cãezinhos que viviam em uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) na Zona Norte da cidade, foram retirados do local e levados para um abrigo por um policial, que estava com medo de que os animais se tornassem alvos por serem cuidados pelos PMs.

De acordo com funcionários da Fazenda Modelo,

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Paul McCartney apoia campanha da PETA em prol de 150 cachorros

por Andrezza Oestreicher — publicado 19 out 2017 - 9:32

A PETA (People for the Ethical Treatment of Animals, em português “Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais”) é a maior organização de direitos dos animais no mundo, com mais de 6,5 milhões de membros e apoiadores.

Este mês, a organização ganhou um apoio de peso em uma de suas campanhas. O cantor Paul McCartney se juntou à PETA para ajudar cerca de 150 cachorros que estão sendo negligenciados por uma empresa nos Estados Unidos.

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Cachorro fica em incêndio e protege rebanho de cabras da família

por Andrezza Oestreicher — publicado 18 out 2017 - 9:21

Quanto mais nós conhecemos novos cachorros e ficamos sabendo das diferentes histórias envolvendo estes animais pelo mundo todo, mais nós nos encantamos e nos surpreendemos com a quantidade de amor e lealdade que eles são capazes de oferecer.

No condado de Sonoma, na Califórnia, um cachorro se arriscou durante um grande incêndio para proteger o rebanho de cabras de sua família.

De acordo com Roland Hendel, proprietário do lugar, ele não teve tempo de salvar todos os membros de sua família do fogo.

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Com medo da violência, policial leva cães que viviam em UPP para abrigo

por Andrezza Oestreicher — publicado 19 out 2017 - 18:33

Nós já falamos bastante sobre a crescente da violência no Rio de Janeiro e como isso vem afetando cada vez mais os animais.

A situação está tão grave, que dois cãezinhos que viviam em uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) na Zona Norte da cidade, foram retirados do local e levados para um abrigo por um policial, que estava com medo de que os animais se tornassem alvos por serem cuidados pelos PMs.

Policial ficou com medo de que os cães fossem alvo da violência e os levou para abrigo. (Foto: Reprodução / Facebook Indefesos)

De acordo com funcionários da Fazenda Modelo, abrigo municipal de animais em Guaratiba para onde os cães foram levados, o policial informou que os cachorrinhos, um casal de vira-latas de cerca de três anos de idade, viviam na UPP de Benfica (o policial não especificou qual) desde filhotes e eram cuidados pelos PMs.

Porém, com o “clima de guerra” que tomou conta da favela, o policial ficou com medo de que os cachorros se tornassem alvos de alguma violência, já que eles eram praticamente mascotes da UPP e estavam associados aos PMs.

Ao saber do caso dos vira-latas, Rosana Guerra, protetora animal que faz parte do Grupo Indefesos e faz trabalhos voluntários na Fazenda Modelo, divulgou a história dos cães em uma rede social.

“Eles são animais muito dóceis. Conquistaram todo mundo. E com certeza eram muito bem cuidados, pois estavam gordinhos, com pelos brilhosos e pareciam muito felizes. Tinham um lar. Infelizmente, foram separados. Podemos dizer que eles foram vítimas desta violência horrível do Rio de Janeiro”, afirmou Rosana.

A cadelinha teve oito filhotes e está com os bebês em um lar temporário. (Foto: Reprodução / Leo Martins / Agência O Globo)

Porém, a história teve um lado feliz.

A cadelinha, que recebeu o nome de Bela, estava prenhe. Ela teve seus oito filhotes em um lugar seguro, recebeu todos os cuidados necessários e foi encaminhada para um lar temporário junto com seus bebês. A família vai ficar lá até todos eles estarem prontos para serem colocados para adoção.

Já o macho, que recebeu o nome de Fera, foi adotado, ganhou uma nova família e se mudou para a Zona Sul da cidade.

Fonte: O Globo

Paul McCartney apoia campanha da PETA em prol de 150 cachorros

por Andrezza Oestreicher — publicado 19 out 2017 - 9:32

A PETA (People for the Ethical Treatment of Animals, em português “Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais”) é a maior organização de direitos dos animais no mundo, com mais de 6,5 milhões de membros e apoiadores.

Este mês, a organização ganhou um apoio de peso em uma de suas campanhas. O cantor Paul McCartney se juntou à PETA para ajudar cerca de 150 cachorros que estão sendo negligenciados por uma empresa nos Estados Unidos.

Paul McCartney está tentando ajudar a PETA a salvar 150 cães da raça Galgo. (Foto: Reprodução / Kamil Krzaczynski / AFP)

De acordo com a PETA, um grupo de cães aposentados da raça Galgo, que eram utilizados em corridas, vem sendo maltratado no interior da The Pet Blood Bank, empresa fixada no Texas que distribui produtos sanguíneos caninos utilizados em transfusões veterinárias.

Os cães são utilizados pela empresa com fontes de sangue. A raça foi escolhida por apresentar com mais facilidade um tipo sanguíneo universal e funcionários do local chegam a retirar sangue dos cachorros várias vezes por mês.

Uma matéria feita em parceria com a PETA e publicada no The Washington Post apresentou detalhes de como os cães vivem no interior da empresa, em instalações inadequadas e espaços bem pequenos e descuidados. Além disso, fotografias feitas do local e dos animais por um ex-funcionário da The Pet Blood Bank mostram também que os cães estão desnutridos.

Fotos feitas por um ex-funcionário da empresa mostram as péssimas condições do local onde os cães vivem. (Foto: Reprodução / The Washington Post / PETA)

A PETA afirma ainda que muitos destes animais estão com diversos problemas de saúde por conta das condições em que vivem e da falta de cuidados.

No dia 10 de outubro, Paul McCartney escreveu uma carta para James Wiltz, CEO da Patterson Veterinary Supply, empresa que distribui os produtos do The Pet Blood Bank. A carta pede melhores cuidados para os cães e que eles sejam doados, para que finalmente possam ir para lares amorosos. A carta foi escrita e divulgada depois que a Patterson Veterinary Supply não cumpriu com sua promessa de que iria garantir que os cães receberiam melhores cuidados.

Os cachorros que vivem na empresa estão desnutridos e muitos apresentam problemas de saúde. (Foto: Reprodução / The Washington Post / PETA)

Confira uma tradução (livre) da carta escrita por Sir Paul McCartney:

“Prezado Sr. Wiltz,

Eu estou escrevendo para apelar para você intensificar, cumprir sua promessa anterior e resgatar os cães cujo sangue sua empresa tem usado há muitos anos, sabendo que esses 150 cães ou mais – que foram permitidos que chegassem a uma forma assustadora e que agora são mantidos em condições bem distantes do ideal, ajudaram seus negócios ao custo de seu bem-estar.

Tive cães desde que eu era um menino e amei todos eles, inclusive Martha, que foi minha companheira por cerca de 15 anos e sobre quem escrevi a música “Martha, My Dear”. Tenho certeza que você sabe que os cães precisam de carinho e uma cama confortável para repousar, calor no inverno, a oportunidade de correr e brincar, e assim como você e eu, eles desejam felicidade e companheirismo.

Eu me junto aos meus amigos da PETA para solicitar que você livre esses Galgos e que eles sejam afastados das condições áridas e enfadonhas em que são mantidos, isolados e sozinhos, alguns deles chorando com a aproximação da pessoa que vem tomar seu sangue por repetidas vezes. Eles tiveram uma vida difícil na pista de corrida, e eles vão morrer sem amor se forem deixados onde estão. Eu vi fotos de como eles sofreram com unhas que cresceram de volta para as almofadas das patas, bem como de gengivas infectadas e dentes apodrecidos, e me disseram que alguns aparentemente morreram por falta de água.

Pessoas boas, socorristas de Galgos profissionais, estão preparados para colocar esses cachorros em boas casas e transportá-los para essas casas, sem nenhum custo para ninguém. Faça o que é certo e ganhe o apoio de todos os veterinários gentis e todas as almas bondosas em todo o mundo.

Estou ansioso por notícias suas.

Atenciosamente,

Sir Paul McCartney”.

Carta original escrita por Paul McCartney. (Foto: Reprodução / PETA)

Fonte: 943 Jack FM / Billboard