5 jun 2017 - 20:59

Banzé

Tutor(a): Louise V

Caros humanos,
Não sou bom nesse negócio de escrever, mas estou testando coisas novas. Até agora já tive êxito em dar cambalhotas, deitar (proteger e dormir) em sapatos e mastigar coisas que, definitivamente, não são mastigáveis.
Foi naquele dia de março que nossas esquinas se cruzaram. Minha humana insiste que eu tinha uns 2 ou 3 anos, mas eu não gosto quando ela divulga minha idade tão abertamente assim.
Eu tinha sido resgatado por uma mulher gente fina após cenas de maus tratos na frente do emprego dela. Ela tratou de me colocar numa salinha, me dar um pouco de água e comida e me garantir que tudo ficaria bem.
Por um momento não ficou, ela já tinha um outro cachorro que não queria concorrência na sua área e por acreditar que eu já tinha uma casa, aguardou até que alguém aparecesse. Bem, não apareceram.
Minha família surgiu aí, foi bem de paraquedas. Assim que uma das humanas se agachou de onde eu estava acorrentado, não pensei duas vezes em jogar meu charme, apoiar a cabeça em sua perna e se eu pudesse falar essa língua complicada dos humanos eu teria dito que eles já estavam atrasados em me levar para casa.
Sim, foi um pouco assustador chegar em uma casa nova.
Não, eu não era mais tão filhote assim. Não, meus antigos tutores nunca apareceram, mesmo que minha família tenha procurado por tempos.
Aos poucos eu deixei que eles me amassem como eu merecia. Isso foi há 5 anos agora e todos os dias eu me esforço para mostrá-los em dobro o quanto eu sou grato por tê-los (e aos sapatos também).
Humanos, vários outros amigos meus estão a procura de um lar. Eles já não são filhotes e muitos tem algum tipo de deficiência e eles merecem uma casa.
Tentem fazer com que todos eles também fiquem bem.
Obrigado,
Banzé.