10 ago 2015 - 6:30

Irina

Tutor(a): Patricia Melo

No começo de 2013 me mudei para o bairro de Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Desde o primeiro dia, da varanda do meu quarto podia ver aquela cadelinha toda encolhida no degrau da entrada de uma casa vizinha a minha. Sempre reparava que quem saía ou entrava da casa só se limitava a passar o pé na cadela (para dar carinho) ou ainda gritava para que ela saísse dali, mas ela sempre estava ali, quando via alguém se aproximando abanava o rabo e era só alegria, mas sempre recebia em troca o desprezo dos outros. Eu ficava triste mas ao mesmo tempo pensava que nada podia fazer porque já tinha a Frida, que ganhei quando filhote e era a rainha da casa, uma filha mesmo e tinha receio de que a presença de outro cão em casa trouxesse problemas. Por vezes tentei me aproximar da Irina, mas ela era arredia, porém um dia, enquanto a companhia de luz instalava o relógio da minha casa ela veio até o portão e ficou deitada no meu pé, até os funcionários irem embora, me apaixonei de vez, mas ainda assim não podia deixá-la entrar. Até que um dia a noite choveu muito, mas muito mesmo, e olhando pela janela do meu quarto só via a Irina encolhida no degrau da casa vizinha, dessa vez ainda dividindo o espaço com um outro cachorrinho de rua. Eu e meu marido não conseguimos aguentar ver aquilo, eu chorava demais, sofria por vê-la abandonada daquele jeito. A casa ao lado da minha estava vazia, em final de construção, abrimos o portão e aconchegamos a Irina e seu “colega” na varanda da casa do vizinho. Demos comida e água. No dia seguinte tivemos que deixá-los na rua de novo porque a casa recebia visita de corretores. a chuva havia passado, o outro cachorrinho foi embora e ela voltou pro degrau da casa da vizinha. Perguntamos a essa sra se a cadela era dela, ela disse que não, era da rua, então resolvemos arriscar. Colocamos Irina para dentro de casa, deixamos ela na pequena área de serviço, meu marido fez uma casinha de madeira, ela entrou logo e a carinha dela já era outra. A levamos ao veterinário para um check up, ele disse que ela deveria ter por volta de 1 ano. Vacinamos, demos banho, tosamos, era outra cadela, mais linda ainda! Em 2 ou 3 dias já não aguentávamos ficar longe dela e a colocamos para dentro de casa literalmente, para conviver com a Frida e dormir no nosso quarto. Foi complicado para a Frida aceitar, mas não desistimos, cada uma delimitou seu espaço e dentro do possível vivem bem. É impressionante ver a evolução da confiança dela conosco, Irina não lambia a gente, não se chegava, sempre pensava que iriamos bater nela, se encolhia, dormia em alerta ao menor barulho, hoje dorme como uma pedra rsrsrs lambe, dá beijo, pegamos no colo, enfim, livre dos medos que tinha. No começo de 2014 começamos a passar por problemas sérios financeiros, optamos por sair do Brasil, vendemos tudo o que tínhamos, nossos vizinhos achavam que iríamos jogá-la na rua de volta porque o processo para sair do país com cães é caro e cansativo, mas ela faz parte da nossa vida e da nossa família. Moramos em Portugal desde de dezembro, nossa família está completa e feliz, recomeçando a vida!